quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O início de um PESADELO...


Dia 17 de Junho de 2005, 10 horas da manhã...
Um dia normal, como qualquer outro, até que bonito, ensolarado, porém com uma brisa gostosa, daquelas que batem na manhãzinha de um dia fresco, sabe?
Estava aliviada por ser o último dia de aula na faculdade, mas ainda tínhamos que terminar um trabalho de estágio, eu e mais duas colegas, um sufoco. Estava preocupada também, já que minha avó paterna estava já há algum tempo internada no Hospital das Clínicas por ter fraturado o osso do fêmur em uma queda na sua própria casa, queda esta que não foi por acaso e sim por um desequilibrio em sua pressão arterial, o que mais tarde no mesmo quarto de hospital a levou a um infarto do miocárdio, tendo assim diversas paradas cardíacas e logo em seguida um coma, coma este que a levou para sempre.
ERA um dia normal, fora essas minha preocupações, trabalho e vovó. Confesso que há alguns dias não vinha me sentindo bem, desde que minha vó foi para o hospital, não sei o porque, mas isto mexeu demais comigo, me sentia estranha na rua, mas em minutos o mal-estar passava, não levei muito em consideração. Mas depois veio um desconforto que chegou a me incomodar, tanto que comentei com minha mãe e meu namorado na época, era um bolo na garganta que as vezes não me deixava engolir direito, estava começando a me irritar com isto.
Mas naquela manhã na faculdade o bolo na garganta me irritou profundamente, me deu uma agonia, uma vontade imensa de chorar, neste momento estava a frente de um computador na sala de informatica da faculdade e tive que sair de lá pedindo licença as minhas amigas que lá estavam comigo terminando o bendito do trabalho. Fui ao banheiro e levei meu telefone celular junto, entrei, abaixei a tampa do vaso, tranquei a porta e sentei, comecei a chorar, não sabia o que estava acontendo comigo, era uma sensação muito estranha, sensação que eu nunca tinha sentido antes, resolvi ligar para minha mãe, sabe como é, nessas horas nada melhor do que ouvir a voz da pessoa em que mais confiamos. Liguei, o telefone tocou e ela atendeu, estava no escritório trabalhando:
- Mãe, não estou me sentindo muito bem hoje, estou com uma agonia, um bolo na garganta, uma vontade de chorar, parece que algo muito ruim vai acontecer!
- Calma filha, quer que eu vá até ai te buscar?
- Não mãe, não precisa, estou somente aflita eu acho, mas estou bem, não tenho nenhuma dor, só preciso chorar!
- Tem certeza filha? Mamãe já sentiu isso também, se quiser saio daqui agora e vou te pegar!
- Não mãe, não precisa. Qualquer coisa te ligo mais tarde.
- Está bem!
- Beijo mãe!
- Beijo filha!
Quando minha mãe disse que já havia sentido isso antes ela sabia muito bem do que estava falando, mas não quis me dizer ao certo o que era para não me assustar mais, mas ela sabia que eu estava propensa a naquele minuto ter um ataque de pânico, assim como ela já tinha tido há uns dois anos atrás!
É, e foi naquele instante, em que comecei a caminhar de volta a sala de informática que tudo começou, que minha vida mudou, que o pesadelo se iniciou. Mal sabia eu que nunca mais seria a mesma, eram os últimos minutos da antiga Raquel.
Sai do banheiro, comecei a caminhar, mas a angustia em poucos segundo começou a virar medo, um sensação esquisita, parecia um sonho, estava meio tonta, não sentia bem meu corpo, parecia que estava flutuando, as pessoas a minha volta pareciam muito estranhas, até esbarrei em algumas, mal conseguia subir uns poucos degraus que tinham, o que estava acontecendo comigo? Comecei a pensar que iria morrer, ou ter um ataque do coração assim como minha avó havia tido. Meu Deus, estou morrendo!
Ha apenas alguns passos da sala de informática minha visão escureceu, tudo rodou, pensei que iria desmaiar, já estava até me apoiando na parede para não cair e bater com a cabeça no chão, entrei na sala, fui correndo até minhas colegas e disse:
- Me ajuda, estou morrendo!
Neste momento várias pessoas olharam assustadas para minha cara, eu estava branca, pálida, tremia mais do que vara verde, meu coração... nossa meu coração acelerou de uma tal maneira que eu nunca tinha sentido antes, a boca secou, me veio um enjoo, um mal estar. E o pior, eu tinha a certeza de que estava morrendo!
Abracei minha colega e disse:
-Por favor, me ajuda, estou morrendo, não me deixa morrer agora, eu não quero!
Coitada da minha colega, eu agarrava tanto ela que devo até ter machucado seu braço.
Todos tentavam me acalmar, porém em vão, nada me acalmava. Como se acalmar tendo a certeza nítida de que se está morrendo? Impossível!
Ligaram para minha mãe e adivinha? Ela já estava saindo do escritório antes de saber que eu estava em crise, ela já sabia que eu teria uma! Meu pai também ficou sabendo e ligou preocupado, mas já tendo a quase certeza de que eu estaria com o mesmo problema que tinha afetado minha mãe há um tempo atrás!
Mas aquela sensação horrível não passava, me deram água com açúcar, me abanaram, uma enfermeira fez até eu abaixar e cabeça pensando ser uma queda de pressão, mas queda de pressão não causa tanto horror e tanto medo assim. Foi ai que pensei:
" Meu Deus, será que estou tendo uma crise de pânico?"
Continua...

11 comentários:

Leandro disse...

Ótimo blog! Minhas crises não começaram assim, mas foram tão assustadoras quanto as suas.

Força e paz!

BRUNA KARLA disse...

VOCE DEFINIU EM PALAVRAS COISAS QUE SO CONSIGO FALAR COM A PSICOLOGA E PSIQUIATRA. A MINHA VIDA MUDOU EM 13 DE JUNHO DE 2006.
ESTOU BEM MELHOR, ESPERO QUE VC TB!
ABRAÇOS

cacilda prof. disse...

Cacilda aparecida de santos

Minhas crises não começaram assim, mas foram tão assustadoras quanto as suas.

Força e paz!

Leticia disse...

adorei esse blog...tenho certeza que está ajudando muitas pessoas, assim como me ajudou, as minhas crises tbm começaram de repente,estou melhorando agora ***GRAÇAS A ***DEUS*** e com ajuda de psicologo...
espero que vc tbm estaja melhor
***FICA COM ***DEUS***, E QUE ***DEUS*** SEMPRE ABENÇÕE TODOS VCS E AS FAMÍLIAS DE VCS***

bjss

muita FORÇA E PAZ

Simone disse...

Parabéns! Quem sabe alguém que leia irá se identificar com seus sintomas e procure uma ajuda!

Alan disse...

Gostei do blog Raquel. Parabens.

Eu fiz a mesma coisa: http://fuiaoinfernoevoltei.blogspot.com/
Se der para voce colocar um link no seu blog para o meu, podemos criar uma rede de sites ligados uns aos outros, para ficar mais facil ao pessoal que tem sindrome do panico para achar informacao.
Ja adicionei um link para seu blog.

Diário de uma Paniquenta disse...

Obrigada pessoal... espero estar ajudando vcs... e espero que me ajudem também... todos nós precisamos de força!!!

Juliana disse...

Raquel,
vc descreveu exatamente tudo que senti no dia 27 de agosto de 2003.
Impossível esquecer essa data, fui ao inferno e voltei milhares de vezes até descobirem que eu tinha Síndrome do Pânico. De lá para cá tenho passado ao psquiatra todos os meses e minha luta continua.
Parabéns pelo Blog,pelo menos sentimos que não estamos sozinhas e que essa luta pode ser vencida.
Bjs

maria luzinete disse...

Nossa lendo sua historia lembro-m da minha ha 5 aanos atras e agora em janeiro voltou com os mesmo sintomas seu so que o meu era de ficar sozinha em casa,mas estou bem tomando a medicaçao e buscando muito a Jesus ....força amada Paz Deus te abençoe grandemente bjs.

Jorge disse...

Raquel, seu blog e o do Alan (por falar nisso, estou aqui porque vi um link lá para seu blog) podem alertar a muitos cardiologistas sobre a SP, que desconhecem totalmente essa síndrome. Quando mencionei SP ao meu antigo cardiologista e pedi para ele considerar ou descartar a SP, ele riu na minha cara, com certo deboche. Fui diagnosticado por ele na época com arritmia cardíaca. Hoje sei que tenho somente SP, estou em tratamento e querendo livrar-me de remédios.

Lala disse...

Boa noite

convido a todos para visitarem o meu blog que fala sobre a superação e o renascimento com a crise do pânico,

Obrigada

http://sobreviviaopanico.blogspot.com.br/